10 curiosidades sobre mim
Pensar em dez curiosidades sobre mim foi quase um parto, a proposta me levou pra lugares sombrios várias e várias vezes e eu não queria compartilhar isso especificamente (e sei que não fui a única a passar por isso).
Sempre que pensava em escrever essa postagem sentia que não vivi nada suficientemente significativo ou tão legal de se compartilhar, até que hoje depois de passar mal e deitar pra descansar, abri o feed rss do blog e apenas fiquei lendo por algumas horas.
Nem tudo que li era dessa tag, apenas fui lendo tudo que via pela frente e pensei comigo mesma algo interessante: Ler blogs é uma boa forma de lembrar que a nossa fatia de realidade é minúscula e conhecer um pouco da realidade do outro é tão divertido, então boas ou não, eu vivi coisas que podem ser contadas e não é como se fossem fazer uma avaliação de quem tem a vida mais legal entre todos os participantes do tema, né?
Nisso, ter lido esse texto no Blog do Th ajudou bastante:
"Talvez a liberdade que você procura esteja nisso: dar a si mesmo a devida desimportância e tocar a vida do jeito que te apraz. O resto, sinceramente? Problema de quem espera que você viva a vida dele."
Por ora não consigo elaborar tudo de como isso ajudou a me sentir menos pressionada a apresentar dez curiosidades incríveis sobre mim e sim apenas dez curiosidades e ponto final, mas me sindo agradecida pela postagem lembrete da nossa desinportância, um dia quem sabe eu elabore e finalmente escreva/entenda o que se passou aqui.
No fim das contas, depois de escrever as dez curiosidades percebi que na real acabei escrevendo sobre dez coisas das quais me orgulho em alguma medida.
Eu já ganhei um concurso de redação na adolescência (acho que tinha uns 15 anos) e achei o prêmio nadaver com nada: uma bicicleta! Eu preferia um caderno, um livro, um tablete talvez, qualquer coisa relacionada a escrita faria mais sentido na minha cabeça.
Fui numa bienal do livro com a minha escola em algum momento, mas não lembro muito bem quando foi, só que foi de novo por causa do meu desempenho em redação, não tive como levar nenhum realzinho pra comprar um livro nem ganhei um mísero marca páginas que fosse e essa parte foi péssima mesmo, mas a lembrança geral é de que foi bom.
Eu lembro até hoje o momento em que li a minha primeira palavra aos seis anos! Eu estava no meu quarto sentada no chão com o livro da escola sobre a cama e li a palavra: Lixo. Fiquei tão feliz que sai correndo pela casa pra dizer a minha mãe que eu tinha lido a palavra sozinha sem olhar a figura e por algum motivo eu nunca esqueci essa memória apesar de às vezes pensar tipo "MDS que lixo de primeira palavra 😂 literalmente!".
Um ônibus que eu estava já pegou fogo no motor e eu fui a primeira pessoa a descer quando a porta abriu por ter visto a fumaça começando. Eu sempre me perguntava se em uma situação de emergência eu congelaria ou correria e fiquei me sentindo a Sherlock Holmes por ter sacado antes de todo mundo o que estava acontecendo e o que precisava ser feito. (Mas nada grave aconteceu com ninguém no máximo chegamos atrasados em nossos compromissos).
Eu nasci com deficiência e passei a adolescência inteira tentando não ser definida por isso como fui na infância graças à superproteção dos meus pais. Lá pelos 13 anos fizemos a carteirinha de gratuidade no transporte público e sempre que podia tentava sair sozinha pra ir à reabilitação (quando era fisioterapia na piscina principalmente) e isso foi essencial pra eu desenvolver minha autonomia, me ajudou a virar a tímida desenrolada, podia até ter vergonha de falar mas conseguia fazer o que precisava ser feito.
Nunca aprendi a andar de bicicleta por causa da deficiência, eu não tenho muita força física e na infância tinha menos ainda, mal conseguia levantar a bicicleta que meu irmão mais novo ganhou (quando eu tinha 15 e ele 7) eu sempre caí com facilidade, me machucava e/ou adoecia, ainda é um pouco assim, mas ainda esse ano quero me preparar fisicamente para aprender a andar ano que vem, tipo fortalecer o corpo com algum tipo de atividade destinada a isso (é minha meta de segundo semestre).
Eu já trabalhei como cobradora (trocadora) de ônibus por 9 meses e atravessava a cidade de norte a sul 4 vezes por dia. Na minha cidade não tem ônibus 24h e pra chegar no ponto inicial eu saía às 3h40 mais ou menos, às vezes eles queriam que a gente "dobrasse" ou seja trabalhasse os dois turnos porque alguém do turno da tarde não veio e estava faltando gente, só que o pessoal da tarde largava de meia noite pra lá e o último ônibus chamado Corujão só passava de 1 da manhã pra no dia seguinte você ir trabalhar de manhã normalmente 🤡 ou seja: era melhor dormir logo na garagem dependendo de onde você morava você chegava praticamente na hora de se arrumar pra sair de novo 🤡 eu nunca aceitei trabalhar nisso sem ter folga no dia seguinte e por isso disseram que eu era nó cego (é como chamam por aqui aquela pessoa que não aceita ser explorada no trabalho, embora digam que significa apenas uma pessoa que não faz tudo que te pedem).
Uma vez na adolescência eu participei de um grupo terapêutico no postinho perto da minha casa, era umas 6 pessoas e o psicólogo, em determinado encontro jogamos War e eu ganhei a partida com meu time preto (estava na fase GotikEmoTrevosa) mesmo tendo o objetivo mais difícil de todo o jogo: dominar o mundo! Eu me sinto muito foda até hoje quando eu lembro desse dia 😂😎
No comecinho da fase adulta (18 anos acho), durante um feriadão eu estava na casa de praia com um grupo de amigos do meu primeiro namorado, em uma dessas noites, com todos apenas levemente alcoolizados, começaram a jogar um jogo de perguntas e respostas que não sei qual era, mas penso que pode ser Trivia. Nessa época eu ainda tinha muita vergonha de interagir com pessoas novas, mas participei e vivi meu segundo grande momento em games grupais ao saber responder prontamente a pergunta "De quem e o que é a lei do uso e desuso?", eu não só sabia de quem era como sabia explicar ela 😎. Eu me senti a Hermione levantando o braço pra responder e respondendo com tanta convicção que só faltou a galera me levantar nos braços e descer aquele oclinhos enquanto tocava Turn Down for What 😂 não foi tudo isso claro, mas pra quem mal abria a boca foi uaaaauuu pra caramba!
Eu conheci meu marido no twitter em 2019, depois de alguns anos de amizade e outros de namoro EAD ele veio morar comigo junto com 2 gatos dele, ele até falou disso nas curiosidades dele, mas o que ele não disse foi que a primeira coisa que ele falou pra mim quando nos encontramos no aeroporto foi "Temos que ir no banheiro por que o gato mijou na bolsa de transporte"! 🤪 O último romântico do Brasil, ele mesmo! Horas depois, sem querer eu "dei o troco", quando a gente já estava em casa acomodando as coisas senti um cheiro estranho e comentei "Nossa! Que cheiro horrível será que estorou alguma fossa na vizinhança?", mas tinha sido apenas ele soltando um pum que ele tava prendendo no avião! O prêmio casal ternura 2023 foi todo nosso 🤪 a forma como reagimos aos dois eventos me fez pensar que sim, nossa relação com certeza iria dar certo e a cada dia encontramos provas disso entre nós 🥰
Desculpa te expor, amor, mas eu não podia deixar essa passar 😂
Se você aí que estiver lendo também tiver travado nesse tema pensando "MDS minha vida é uma merda", por favor, não acredita nisso, enfrenta esse pensamento, é nosso cerebrinho encasquetando de só ver o lado negativo das coisas como ele aprendeu a fazer pra sobreviver.
Tocando aqui 🧠:
"Baiana" Barbatuques | Galen Hooks Choreography
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