݁ .⋆᪥₊ ݁ . Doses de Mikah à gosto .  ݁₊᪥⋆.  ݁

Usando o caldeirão de referências da internet

O texto hoje é grande, o maior que já compartilhei por aqui, é basicamente o que eu compartilharia na newsletter se eu ainda a mantivesse.

Eu até pensei em fazer isso, mas aaai preguiça de ficar atualizando dois lugares, vou me mudar de vez por Bear Blog mesmo e respostar algumas coisas por aqui futuramente mantendo as datas originais, então, sei lá se você tiver lendo isso e for curiar postagens feitas em 2025 na lista da página Blog, saiba que são esses textos aí, parecidos com esses, maiores do que normalmente tenho compartilhado aqui e geralmente com reflexões que saem do meu caldeirão mental interno e algum nível de fofoca da minha vida pessoal no meio.

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Se existisse um limite de palavras a se falar por dia, que nem no livro que Ben leu em 2024 [1] e tô para ler desde então, mas ainda não tive coragem, hoje eu teria excedido o limite antes mesmo do café da manhã aqui de casa que foi às 9h!

Esqueci de desativar o despertador das 6 da manhã e ao pegar o celular para desativar o alarme, ao invés de voltar a dormir, acabei abrindo o Bluesky e vi um bluet da Mikan falando da repercussão que estava tendo por causa de um vídeo e uma antiga thread dela falando da JK Rolando e a as merdas que ela faz com o dinheiro que consegue por causa de Harry Potter.

Esse é um assunto que me irrita a beça há anos, pois acho um absurdo as coisas que ela faz contra pessoas trans que só querem existir em paz. Lá pra bando de lá onde ela mora, se a pessoa estiver sendo processada por transfobia, basta chegar na empresa dessa criatura e ela vai bancar toda a sua defesa :| pra alguém estar sendo processado por transfobia boa coisa não fez, ok todo mundo tem direito a um advogado, concordo o problema mesmo é quão ativamente essa vaca trabalha contra os direitos de uma minoria baseado numa ideia equivocada que ela e um monte de gente jura que tão arrasando em acreditar.

Enfim o texto nem era sobre isso em si, mas foi o gatilho inicial que me fez ficar agitada pra caramba logo cedo e acabei indo parar no poço sem fundo do Instagram. E é por isso que devemos evitar enfiar uma tela de celular na nossa cara tão logo ao acordar! Seu cérebro mal começou a processar o dia, já recebe uma enxurrada de informações e fica meio bob esponja cavernicola das ideias!

Bob esponja cavernicola

Ainda considero o Instagram um poço sem fundo, mas minha relação com ele atualmente não é de todo tóxica, por eu ter conseguido manter o algoritmo minimamente decente no meu perfil, então ainda consigo tirar muito proveito de lá com conteúdos que realmente dialogam com quem eu sou e acredito: basicamente uma galera da psicologia histórico cultural, sociólogos, antropólogos, ativistas, pessoal de esquerda, gente que faz arte em geral, parentalidade, saúde mental, filosofia, direitos humanos e por aí vai.

Nessa brincadeira acabei topando com um perfil novo que me chamou atenção, fui olhar outros vídeos do cara e alguns me deram muito no que pensar justamente sobre essa maneira como consumimos conteúdos na internet hoje em dia. Lá pelo Substack também acompanho algumas pessoas que estão esse ano fazendo um movimento interessante de retomar hábitos e atividades analógicas que eram comuns nos tempos pré-internet.

Sou daquela geração que pegou o começo da internet então ainda lembro de muitas coisas dessa época e vi o mundo todo mudar gradualmente com a adição de cada vez mais tecnologia no dia a dia. Ou seja, vi a internet nascer e morrer para muita gente.

Tá talvez morrer seja um termo muito forte, pois sei que é meio difícil viver de forma analógica com tudo o que temos hoje em dia, e eu nem concordo muito com viver ao extremo esse retorno à vida analógica a todo custo, negando toda a parte benéfica da tecnologia também, até hoje não encontrei um grupo que seja tão extremista assim, embora não duvide que exista em algum lugar do mundo.

O que me faz lembrar de um dos meus livros favoritos: O longo amanhã [2] que é basicamente um mundo pós apocalíptico em que toda e qualquer tecnologia se perdeu, e houve uma regressão abrupta da sociedade voltando à vida rural em pequenas comunidades a ponto de ser considerado heresia você ter acesso a livros, filosofia, quimica, física, ciência, etc... Até mesmo um rádio (como os protagonistas acham) é tratado como algo demoníaco, como se quem tivesse acesso a isso tudo fosse o que hoje o cristianismo considera condenável ao inferno. Pra mim mostra bem como é ser extremista nesse quesito anti tecnologia.

É indiscutível os efeitos negativos que estamos vivenciando cada vez mais ultimamente por causa de telas, de Inteligência Artificial, dificuldades de interações reais entre as pessoas, solidão e etc, e mencionei o Substack com sua galera "vamos fazer a internet um lugar legal outra vez" por lá eu também ver muito, muito, mas digo muito mesmo o pessoal falando sobre estar saturado do Instagram especificamente, mas é uma falação tão intensa sobre isso que automaticamente me faz pensar na minha frase de vó preferida:

"Tudo demais é muito"

Por que vejo tanta gente reclamando do Instagram, da Meta e seu algoritimo, mas vejo tão pouca gente falando sobre como lidar com tudo isso? Claro, vou considerar a possibilidade de eu só não ter encontrado ainda essa bolha, mas me chama atenção a forma passiva com quem tanta gente fala dessas questões.

Eu sei tá todo mundo meio perdido e nem em um milhão de anos quero falar algo que soe como "quem quer mudar, vai lá e faz" deusulivre, mas acho que realmente gostaria de ver mais gente falando sobre: Se eu parar de usar o Instagram eu vou colocar o que no lugar? E eu até já vi uma unidade de pessoa dizendo exatamente isso por lá, mas você concorda que não faz lá muito sentido uma pessoa que tira seu sustento dali, incentivar pessoas a não estar ali?

Então pra mim coisa toda ficou ainda muito no superficial, muito no "Ok identificamos um problema aqui, temos que usar esse espaço com moderação", Como? "Não sei não, se vira aí parça, enquanto isso vem ver esse (insira aqui qualquer coisa que pode ser monetizada) que eu comprei"

Quer dizer que eu achei a resposta? Aiai, só sendo! Tô longe dela, só comecei mesmo a pensar muito sobre isso e esse textão brotou durante minhas páginas matinais de hoje.

Mas voltando aos vídeos que alugaram um kitnet na minha cabeça, quero falar um pouco deles antes de prosseguir meu raciocínio e contar o que tenho planejado fazer sobre isso.

Um falava especificamente sobre o funcionamento do algoritmo e me fez pensar em tudo isso que falei anteriormente a respeito dessa culpabilização total do algoritmo que parece vir de um lugar passivo que apenas aceita que as coisas são assim mesmo e não há nada a ser feito sobre isso, então só me resta reclamar.

Claro que também não é culpa da pessoa que está reclamando e sim do funcionamento da coisa toda que dificulta propositalmente essa pessoa de perceber que o poder de mudar isso está sim ao seu alcance então, será mesmo que não dá para escolher ações diferentes mudando assim os resultados?

Que ações concretas vão me levar para longe desse resultado bosta que essas redes têm nos entregando? Como eu poderia usar essa rede ao meu favor ao invés de como vem sendo utilizada atualmente? O que o conteúdo que consumo diz sobre o que tenho feito da minha vida?

A resposta não é parar de usar por completo ou se perder em um saudosismo ou nostalgia de que "na minha época era melhor" por que essa época corresponde somente à sua infância/adolescência quando a vida adulta era só uma vida idealizada na sua cabeça baseada nas percepções que você tinha sobre o que era ser adulto e que certamente não condiziam em nada com a realidade visto que esses adultos também já achavam que "no tempo deles" era melhor. A gente tá vivendo uma distopia, tá todo mundo meio cansado de tudo, ver vídeos curtos infinitamente sobre o que quer que seja faz o tempo passar, só que de uma forma bem ruinzinha que afeta todo o resto da sua vida, vamos combinar, né?

Tá fazendo sentindo?

O outro vídeo era mais sobre um negocio chamado Bed Routting, algo que pode ser traduzido para "apodrecendo na cama" que (segundo ele) é como a Gen Z [3] tem chamado o que em minha vivência eu reconheço como estar depressiva para um caralho sem coragem nem mesmo de sair da cama para tomar banho, escovar os dentes ou vestir uma roupa que não seja um pijama. Um cenário típico na minha vida durante e pós pandemia pois desde então eu nunca mais voltei a trabalhar presencialmente.

Ainda nesse segundo vídeo ele menciona que a cama deveria ser usada somente para descanso (dormir) ou sexo e isso me pegou de guarda baixa pois sou a pessoa que está sempre no quarto, a minha vida praticamente gira em torno da minha cama há anos, pois meu quarto sempre foi meu refúgio (acho que para muitos adolescentes que tiveram quartos individuais também), só que agora eu sou adulta e tenho uma casa inteira à disposição, mas sigo existindo praticamente só aqui nesse quarto (que é exatamente onde estou enquanto escrevo isso).

Recentemente houveram dias em que eu me senti enfadada sem saber o que exatamente estava causando isso, (principalmente esse mês em que eu reuni todos os meus atendimentos clínicos nas quintas e sextas) nada do que eu costumo fazer para passar meu tempo (leitura, colagem, algum jogo casual, cortar papel, conversar com alguém) estava me fazendo sentir real vontade de estar ali fazendo aquilo. Fora uma ressaca literária depois desse livro aqui: Amanhã. Amanhã e ainda outro amanhã. [4]

Agora desconfio que pode ser isso, estou enfadada de estar no quarto o tempo inteiro. Hoje vivo numa casa que é tão grande quanto a que vivi com meus pais e eu não estou aproveitando em nada os outros espaços dela. Pensar nisso me fez imediatamente querer ocupar esse território, decorá-lo do meu jeito, fazer gatinhos de papel machê e tacar na parede do corredor por que sim, eu posso, a casa é minha!

O que me faz também pensar em expandir esse território, no sentido de explorar os arredores, ocupar novos espaços como começar a ir na academia, natação ou hidroginástica aqui nesse bairro novo sobre o qual eu ainda não sei quase nada, mas como tenho muitas questões físicas que preciso considerar, como algumas dificuldade de mobilidade por causa do combo deficiência e sobrepeso, eu não conseguiria simplesmente começar a andar por aí como eu fazia com Ben nos arredores da casa anterior em que moramos (num bairro em que eu vivi por mais de 20 anos).

Em um terceiro vídeo que vi dele, ele falava sobre a dificuldade de dizer não que muita gente tem e desafiava a pessoa a demorar pelo menos 24h antes de responder algum pedido que se você respondesse na hora que foi feito, com certeza diria que sim mesmo sem querer dizer sim. O que sei ser um problema clássico na vida de muitas gente.

Justando tudo isso eu imaginei um desafio diferente: E se eu passasse uma semana inteira usando a cama exclusivamente para o que ela foi desenhada? A mente já voou imaginando uma vida completamente diferente! Mas, colocando os pés no chão outra vez, voltei à realidade e reformulei a ideia para algo mais possível de executar agora. Começando em Abril pra ter tempo de planejar direitinho.

O que pensei até agora foi de começar a caminhar na rua que eu moro mesmo que é bem tranquila. E juntando essa matéria do Catraca Livre que eu encontrei hoje também sobre o jeito ideal de fazer caminhada e em uma das dicas sugeriram sincronizar os passos com músicas entre 120 e 130 batidas por minuto. Eu achei a ideia ótima e vou já montar minha playlist de músicas em 120 BPM até lá e começar a passar menos horas na cama.

Já tenho saído mais dela para cozinhar desde que voltei a assumir essa tarefa em casa como falei nessa postagem aqui, fazer isso será então uma continuação, trocar o descanso horizontal por mais atividades ou até descanso vertical para quando eu finalmente tiver condições financeiras de começar a frequentar academia eu não estar tão antes assim da estaca zero quanto estou hoje em dia no que diz respeito a atividade física.

E tudo isso começou com alguns vídeos que eu vi na internet que nem eram necessariamente sobre esse assunto, mas chegou pra mim e entrou no meu caldeirão interno de referências, se misturou a outros pensamentos e desejos até virar isso aqui: uma forma menos passiva de viver a vida.

Eu sei que ainda é só uma ideia, executar é sempre outros quinhentos, mas acho que quanto mais eu escrevo sobre meus desejos de mudança nas minhas páginas matinais, mais eu me sinto perto da realidade em que eu planejo, vou lá e executo o que eu planejei.

Me desejem sorte e forças para me aguentar em pé depois! :) Eu provavelmente escreverei sobre a parte da execução disso por aqui.

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Nota de rodapé:

[1] VOX: O silêncio pode ser ensurdecedor por Christina Dalcher (Autoria), Alves Calado (Tradução) "Uma recriação apavorante de O conto da Aia no presente e um alerta oportuno sobre o poder e a importância da linguagem." – Marta Bausells, ELLE O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Esse é só o começo... Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. ...mas não é o fim. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz. Páginas: 385 | Publicado em: 14 de dezembro de 2018 | Publicação: Editora Arqueiro

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[2] O longo amanhã por Leigh Brackett (Autoria), Wagner Willian (Ilustração), Marcia Men (Tradução) Quando uma guerra nuclear obriga os humanos sobreviventes a se agrupar em comunidades rurais restritas, a população passa a viver da terra e a colher da palavra divina. Temerosos, os Estados Unidos incluem uma emenda à Constituição que proíbe a formação de grandes cidades e que, por consequência, execra toda tecnologia que não for mais do que necessária. Rádios, televisões, veículos e eletricidade tornam-se apenas memórias de outro tempo. Incitado pelas provocações do primo e pelas histórias da infância da avó, o pequeno Len Colter decide descobrir quais são os segredos desse passado não tão distante que os mais velhos protegem sussurrando — e até matando. Contudo, o caminho do transgressor é sempre o mais longo e difícil. Será preciso atravessar regiões inóspitas e enfrentar realidades violentas em busca de uma cidade proibida de que o garoto apenas ouviu falar, cuja existência sequer tem certeza de ser verdadeira. Publicada por uma das pioneiras da ficção científica em 1955, mestra direta de Ray Bradbury, esta obra ressoa a ameaça nuclear que assombrou o mundo no século 20 e prova que a solução para uma pessoa sair das ruínas por vezes é ir contra aquilo em que ela acreditou durante toda a vida. Páginas: 344 | Publicado em: 19 de março de 2025 | Publicação: Editora Aleph

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[3] São as pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2010 ou 1995 e 2010 nunca parece haver um consenso

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[4] Amanhã, amanhã, e ainda outro amanhã por Gabrielle Zevin (Autoria), Carol Christo (Tradução), Giu Alonso (Preparação) Neste romance emocionante da autora best-seller de A vida do livreiro A. J. Fikry e Em outro lugar, dois amigos – que sempre se amaram, mas nunca foram amantes – se unem em uma parceria criativa na indústria dos videogames, um mundo que lhes traz fama, felicidade, tragédia, dúvidas e, de certa forma, imortalidade. Em um dia congelante de dezembro, no seu terceiro ano em Harvard, Sam Masur sai do metrô e vê, entre uma horda de pessoas esperando na plataforma, Sadie Green. Ele a chama. Por um momento, ela finge não ouvir, mas então se vira, e um jogo começa: uma colaboração lendária que vai levá-los ao estrelato. Esses amigos, próximos desde a infância, pegam dinheiro emprestado, pedem favores e, antes mesmo de se formarem, lançam seu primeiro sucesso, Ichigo. De um dia para o outro, o mundo é deles. Com menos de vinte e cinco anos, Sam e Sadie são brilhantes, bem-sucedidos e ricos, mas essas vantagens não vão protegê-los de suas próprias ambições criativas e das traições do coração. Abarcando mais de trinta anos da vida dos protagonistas, de Cambridge à Califórnia, passando por lugares distantes, reais e virtuais, Amanhã, amanhã, e ainda outro amanhã é uma história intrincada, imaginativa e tocante que examina a natureza múltipla e complexa de nossos fracassos, identidades e deficiências, das possibilidades redentoras dos jogos e, acima de tudo, de nossa necessidade de conexão, de amar e sermos amados. Sim, é uma história de amor, mas diferente de tudo que você já leu. Páginas: 531 | Publicado em: 30 de setembro de 2022 | Publicação: Rocco Digital

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𝐓ⱺ𝖼α𐓣ᑯⱺ α𝗊υ𝗂 🧠

(Michael Jackson - Billie Jean)

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