Vivendo Agosto de 2026
No fim das contas, agosto de 2026 entrou pra categoria de "Top 3 coisas fodas que eu consegui fazer e me orgulho disso" sendo:
- Completar o NaNoWriMo em Novembro de 2019 escrevendo 50 mil palavras de uma história de fantasia que tento escrever desde 2016/17;
- Fazer um site para um coletivo de psicólogos que fiz parte por um tempo entre 2023 e 2024 (sem usar IA), sendo que eu nunca nem tinha visto nada sobre isso;
- Concluir1 a jornada do herói durante o BEDA de agosto de 2026 escrevendo uma postagem durante todos os dias do mês.
Eu poderia dizer me formar na faculdade de psicologia, mas foram anos me preparando para isso e todas essas outras coisas foram coisas das quais eu jamais esperaria conseguir e consegui mesmo assim.
Algo dentro de mim fala: "grandes coisas, no que isso ajuda alguém no mundo?" e nossasinhora esse crítico interno que vive na minha cabeça é cruel, visse!
Pra ele nunca está bom, nunca é suficiente, nunca há motivos para eu comemorar. Se eu me descuidar ele assume o comando dos meus pensamentos e causa uns estragos medonhos na minha vida.
Te parece com alguma coisa que há em você também?
Durante o mês eu recebi alguns e-mails em resposta ao que eu escrevi e coincidentemente, no texto em que eu mais fui vulnerável, recebi um e-mail incrível do Akaédyon!
Seguimos conversando desde então e é curioso notar o quanto pessoas com histórias completamente diferentes das nossas podem chegar a lugares bem parecidos ao longo da vida.
Em agosto também andei estudando um assunto bem interessante que de certa forma conversa muito com o papo que eu e Akaédyon temos tido, é um conteúdo de psicologia de uma abordagem chamada Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), que tem me interessado bastante ultimamente.
Não pretendo me alongar nisso por aqui, até porquê criei um novo blog para focar justamente nisso (meus estudos). Então sem muitas explicações técnicas, posso dizer que a principal ideia que me chamou atenção nesse estudo foi um pensamento mais ou menos assim:
Se a gente for esperar pra resolver tudo que temos pra resolver na nossa vida para só então começar a viver, a gente não vive é nada, já que problemas nunca vão faltar.
Caso queira aprofundar nisso, pesquise por: Flexibilidade Psicológica
Recentemente, no grupo da comunidade do Entreblogs também, o Samuel do blog O Guardião de Histórias fez uma pergunta interessante sobre o que nos motivava a continuar postando e eu respondi o seguinte:
Não vou negar que quando alguém responde um dos posts por email é sempre uaaau alguém me lê! Mas nesse blog eu procuro não criar expectativas de que alguém vá ler então penso estar escrevendo ora pra Micarla do passado sobre como foi seu futuro, ora pra Micarla do futuro sobre como foi o passado dela já que os detalhes miudinhos do dia a dia ou como a gente se sentiu em determinada situação se perdem mais facilmente na memória
Eu já tinha mencionado isso anteriormente de forma mais do nada espontânea durante o processo de psicoterapia de uma atendida em específico enquanto lhe explicava porque eu indicaria de ela começar um blog pessoal também.

Até aí praticamente falei disso com todas as pessoas, mas com essa pessoa, acabei chegando na conclusão de que essa ideia de escrever para versões nossas no passado e no futuro poderia ser tanto muito terapêutico, quanto a resposta por trás do que me move a escrever (ou pelo menos um dos fatores).
Akaédyon me autorizou a compartilhar um pouco da nossa conversa, e relacionando a tudo isso, devo dizer que eu e ele temos em comum o ímpeto de amar construir, mas também de destruir aquilo que criamos por sentir que se não demos continuidade até o FIM, nada do que foi feito vale a pena.
E é um ímpeto bem cruel, diga-se de passagem, né? Nada realista também. Com o tantão de coisa que acontece na vida da pessoa, a menos que sejamos herdeiros ou herdeiras, raramente vamos ter tempo e condições financeiras de viver fazendo apenas o que amamos, e isso é uma merda, eu sei.
Se a gente juntar a isso condições como pobreza, falta de acesso a lazer, depressão, ansiedade, autocobrança e afins, piorou mais ainda. Ou nunca nada vai estar perfeito, ou nunca o que conquistamos será bom o suficiente no nosso crivo.
Nos preocupamos tanto com uma versão idealizada de nós mesmos que esquecemos de verificar o que realmente já somos e conseguimos.
Vi uma frase mais ou menos assim neste reels e achei maravilhosa! Vale a pena assistir.
Felizmente tanto eu quanto ele já conseguimos frear o impulso de destruir o que ficou pela metade e não nos desfazemos mais do que fizemos, guardamos e quando temos vontade, voltamos.
É nesse ponto que a coisa toda se relaciona com o BEDA durante o mês de Agosto e as coisas que andei estudando.
O que mudou na gente não foi que deixamos de nos cobrar muito, de em algum momento achar uma bosta o que conseguimos fazer ou sentir que aquilo já não faz mais sentido algum. O que mudou foi a forma com a gente se relaciona com esse tipo de pensamento.
O que cada um daquelas coisas do top 3 que consegui fazer têm em comum, foi não dar ouvidos aos pensamentos e sentimentos difíceis que existiam em mim enquanto eu seguia executando o que me propus.
Mas não se cobre também ser capaz de fazer isso de uma hora para a outra ou só porque você leu essas palavras e se identificou. A tal flexibilidade psicológica é algo que se constrói com o tempo e com muita persistência também. Se eu tivesse iniciado no mundo dos Blogs no passado, como já comentei por aqui, ele não seria nada do que é hoje.
Se eu tivesse conhecido o Entreblogs há 3 anos também. Dificilmente eu conseguiria escrever por 31 dias, sequer teria energia e disposição para interagir com tantas pessoas ao mesmo tempo.
Tanto que o tempo entre cada uma daqueles itens no top 3 é bem longo, perceba: um foi em 2019, num mundo antes da pandemia2. Outro entre 2023/2024. Outro agora em 2026.
Essa é uma daquelas postagens que não tem um fim exato, mas espero que ainda assim seja uma boa reflexão.
Veja também essa postagem aqui no TH e me diga se num dá para conectar também com todo o lance de a vida ocorrer em fases, estações, ciclos, coisas sazonais, etc...
Como sempre, essa ânsia de ter e ser tudo pra ontem, de não ter tempo a perder ou que tudo precisa ser perfeito para existir é só mais um sintoma do danado do Capetaliso.
Se você aí lendo se identifica, saiba que pra além das partes que cabem à sua história de vida, você faz parte de um mundo e de uma cultura que adoece então vamos tentar largar o pensamento de "eu nunca consigo nada" para "eu não estou conseguindo neste momento, o que eu preciso fazer para dar conta de viver para além dessa autocobrança/trabalho/expectativas/traumas....." (essa lista pode ser infinita!)
PS: Putz esse final soou tão Setembro Amarelo, cruzes! Nada Tudo contra o Setembro Amarelo no molde do capetaliso e das redes sociais, essa campanha já foi cooptada há muito tempo, mas uma coisa se mantêm: busque ajuda especializada sempre que precisar!
Tocando aqui 🧠:
[inserir embed]「 Beba água 」
Notas
Antes eu estava usando o verbo "vencer", mas ficava incomodada pois não parecia o certo, mas hoje, depois de ler essa postagem aqui sobre a visão de Designer do Wagner a respeito do BEDA, achei a palavra certa: Concluir, completar. Não tinha como vencer ou perder no BEDA do jeito que o pessoal fez! E isso foi uma das melhores coisas que eles poderiam ter feito!!!↩
Ainda acho bizarro perceber que o item 1 ocorreu em 2019 só um mês antes de tudo dar merda no mundo, porque olhando daqui, parece que são vidas completamente diferentes.↩