Seje Criativa 2 - Edição sopa é janta
BEDA2026 Texto 28/31 O texto de hoje é meio que um combo de duas missões, mas aí já não foi culpa minha elas que estão próximas demais umas das outras, escolho então focar na missão Legado da Guilda cujo objetivo é: Recomende uma postagem antiga do seu próprio blog que merece ser redescoberta, mas poderia ser também "Ecos do Passado em que precisamos reviver uma postagem antiga do seu blog: conte o que mudou desde então, atualize a história ou compartilhe por que ela continua importante para você.
A postagem que eu quero reviver foi minha segunda postagem por aqui, vou deixar ela abaixo caso queira ler sem sair dessa página, depois disso vou apenas continuar o texto acrescentando mais umas coisinhas que pensei de lá pra cá.
Voltando à essa ideia, se tem uma coisa que eu gosto muito sobre a criatividade e de falar sobre isso com minhas atendidas em psicoterapia clínica é que criatividade vai muito além das primeiras coisas que a gente imagina, que geralmente algo relacionado a arte.
Na verdade criatividade também é a solução que você inventa para um jantar de sexta a noite num fim de mês em que você amanhece adoentada e precisa de algo para reviver os ânimos.
Sim isso foi muito específico, mas tá tudo bem. Só acordei meio mole com o corpo querendo falhar e acabei faltando à hidroginástica.
Almoço ninguém conseguiu fazer então pedimos num canto que a gente sempre compra marmita quando chega dias assim, mas mesmo isso ultimamente não tá sendo lá tão bom, meio que enjoamos da comida de lá depois que passamos a cozinhar mais e com mais variedade por aqui (pelo menos pra mim tem sido assim).
Com meu estado de saúde já marromeno e Sr. Alecrim indo no mercado pra comprar umas coisinhas e complementar a despensa até o próximo mês, logo encomendei ingredientes pra eu fazer uma sopinha agora a noite :)
Sopas e caldos são a minha paixão desde criança e por muitos anos fazer sopa (e feijão, de certa forma) pra mim parecia uma total bruxaria.
Até meus 30 anos eu nunca tinha feito uma sopa porque eu nunca vi exatamente como minha mãe tranformava aquela ruma de legumes em algo tão gostoso.
Simplesmente não entrava na minha cabeça como legumes e água podiam resultar numa sopa do jeito que ela faz.
E não adiantava olhar na internet porque eu nunca achava sopa igual a dela, a cor e a consistência era sempre diferente.
Da vez que comi a sopa da minha ex sogra, por exemplo, até gostei do sabor, mas tinha um litro de óleo naquilo e o caldo era mais aguado do que a que mainha fazia.
Já falei antes por aqui sobre a relação da minha mãe com a cozinha e por isso que nunca aprendi a fazer a bendita sopa, mas isso mudou quando voltei a morar com ela por um tempo em 2021, entendi como ela fazia a sopinha da minha infância e fui tentando fazer as minhas com base na dela.
Agora que entra a parte da criatividade outra vez: reformular algo que já está dado é sim criatividade, acho até seguro dizer que toda gambiarra é criatividade, o brasileiro é criativo por natureza e embora não tenha nenhum estudo pra embasar essa fala, cara... é só olhar pro tantão de coisa que a gente faz!
Hoje eu também vi esse video de um cara mostrando como ele encaixou uma peça de cerâmica num lugar muito dificil de encaixar e de forma incrivelmente criativa!
Samba na cara de quem acha que só por ser trabalhador da construção civil ou peão ou ainda não ter instrução formal a galera é menos inteligente e criativa do que as pessoas que estudaram etc, etc (e sim isso é muito especifico mesmo pois recentemente tive que ouvir algo do tipo e sempre que lembro fico 🙄
Mas, voltando à sopa: eis a forma como eu resolvi tentar fazer hoje pegando a base que minha mãe ensinou mas acrescentando o meu próprio jeitinho de fazer:
Ingredientes
- 1 cenoura, ou meia cenoura, caso a sua seja do tipo gigante
- 1 batatinha grande, 2 ou 3 se for pequena, veja aí
- 1 cebola, ou várias meias cebolas que você encontrar pelo caminho
- 1 cadim de nada de cebola roxa que tinha sobrando aqui
- 1 pimentão sem sementes que no final usei metade e comi a outra metade
- 1 pimenta de cheiro sem sementes (essa eu não comi)
- 6 dentes de alho triturados, mas aí vai do seu gosto pra mais ou pra menos
- 1 pedaço no olho mesmo de batata doce cozida que estava na geladeira
- Coentro ou cheiro verde seja lá o que tiver por aí no tanto que tu quiser
- 1 pacote de macarrão do tipo que você preferir mesmo
- 1 carne de charque ou só metade depende de você
- 1 xícara de leite de caixinha mesmo, infelizmente
- Molho de tomate ou qualquer coisa pra dar cor no negócio (tava sem colorau)
O meu jeitinho de fazer
Começo cortando tudo que tiver que cortar que é pra ficar a maior parte do tempo sentada (até porque eu tava com dor no corpo, não tava afim de me esforçar demais).
Mentira! Na verdade eu começo separando 2 potes, um pras cascas e outro pras coisas cortadas, meu cutelo que talvez nem seja indicado pra cortar esse tipo de coisa, maaas acho mais fácil de manusear do que uma faca em si e claro, o descascador de coisas.
Pausa para uma fofoca
Cês acreditam que até hoje mainha mal usa um descascador pois ela é extremamente resistente a mudar os próprios hábitos? Descobri isso um dia desses que tava lá e fiquei passada! Me lembrou muito esse vídeo aqui da muié tomando sopa com garfo.
Deixo pra cortar por último a carne de charque pois se ela ficar por ali tempo demais, capaz de algum engraçadinho dos meus gatos resolver vir pegar um pedaço pra experimentar. Uma bomba de sal pra gente, imagina pra eles!
Ah, quase esqueço de explicar um detalhe importante: por não escaldar a carne de charque eu não coloco absolutamente mais nada de sal, é tudo o que tem na carne já, faço a mesma coisa com feijão e dá certo normalmente.
Com tudo cortado, refogo as coisas no alho jogando ele na panela ainda desligada (aprendi essa em algum video de receita), depois só preciso jogar todos os legumes lá dentro e deixar refogando. Nessa hora eu deixo eles lá no seco mesmo só com o azeite ou margarina depende, pra cebola ir soltando sua aguinha e vou calmamente reunindo as outras coisas que vou precisar.
Por último jogo a carne de charque, misturo tudo e coloco água. Ah, a batata doce é totalmente acrescimo meu nessa história, tava lá sobrando mesmo daí pensei: se eu colocar isso aqui dentro picotadinho já estando cozida ela vai sumir totalmente e deixar o caldo mais encorpado... bora tentar.
Outro acrescimo aqui foi um cadim de páprica defumada mesmo e de molho pomarola (eu me acho muito chic tendo isso em casa, sabe?) só pra ajudar a dar uma corzinha e a própria charque, pois mainha sempre faz sopa com miudos de frango, gosto de todo jeito, até msem mistura dentro, mas aqui não costumo comprar essas partes especificas do frango, já que ninguém gosta mesmo.
Boto tudo na pressão e quando começa a chiar, marco 10 minutos e desligo.
É aí que entra o macarrão, mais pomarola pois ainda não tava na cor que eu queria, o coentro e o leite.
Deixo ferver mais dez minutos pra cozinhar o macarrão e depois mais dez minutos pra dar uma esfriada.
Essa parte é totalmente opicional, pois quando mainha fazia essa era a hora de a gente correr pra tomar banho, segundo ela o caldo fica mais grossinho ainda se você espera um tempinho antes de servir, segui a mesma lógica aqui.
E assim ficou minha sopinha:

Ela ainda não tá do jeito que a minha mãe faz, pois o caldo ficou grosso demais, o que não é necessariamente um problema pra mim embora eu goste bastante do caldinho inicial pra comer com pão.
Hoje não estava frio, mas comigo adoentada, senti vontade de cuidar de mim do jeito que ela cuidava. Essa sopa sempre funciona, no dia seguinte geralmente me sinto bem melhor, fico feliz de ter conseguido fazer apesar de estar com zero vontade pra isso.
Tava tão boa que eu acho que arranquei até um pedaço da lingua ao morder sem querer >.<
PS: Depois de postar um comentário lá no grupo me fez lembrar que também amo uma sopinha no café da manhã! Obrigada, Aline!

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